sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Quid iuris

E vocês, se tivessem conhecimento de uma página na internet que pudesse prejudicar um trabalhador no seu dia a dia, uma coisa de teor sexual alternativo, uma página relativamente à qual vocês não têm qualquer direito a dizer seja o que for, uma vez que, fora do horário e local de trabalho, cada um tem direito a fazer da sua intimidade o que bem entende, mas se de repente a página tivesse chegado ao vosso conhecimento e vocês tivessem a percepção que, num fósforo, os restantes funcionários iam acabar por saber, se vocês soubessem que isso o iria prejudicar gravemente do ponto de vista relacional e entre os seus colegas, que há pessoas bem menos tolerantes e até bastante preconceituosas que, seguramente, o irão massacrar até à medula, falariam com ele? Não para tecer juízos de valor, evidentemente, mas para o avisarem que a coisa estava presa por um fio, que se ele estivesse preparado para enfrentar o furacão, tudo bem, mas, se não estivesse, ainda ir a tempo de, por exemplo, apagar a dita página...

É que, enquanto eu acho que o devia avisar, há quem considere a minha ideia enfim... paternalista.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mais difícil de domar que a comentadora-secretária

Só mesmo a comentadora entusiasta.

Lembro-me bem, quando era pequena, das pessoas velhinhas me dizerem para olhar para as árvores, que lindas que estavam

E eu olhava para elas enfadada, afinal não passavam de árvores, um tronco, uns ramos e umas folhas, já tinha visto mil iguais, o que é que aquelas tinham de diferente?, ah, e tal, que sim, que eram muito bonitas, e agora aconteceu esta coisa curiosa, desde Setembro que olho para as árvores e ando desde essa altura a pensar que estão mesmo bonitas, primeiro estiveram frondosas como não me lembro de ter visto, os verdes de todos os tons mesmo, mesmo verdes, as copas gigantescas, as folhas de veludo macio, depois começaram a amarelecer, a explodir em mil cores, encarnadas, amarelas, douradas, cor de fogo, e eu a olhar para elas e achar que estão mais bonitas do que o costume, que deve haver uma explicação para isto, que deve ser por ter estado muito calor até muito tarde, mas depois instala-se a dúvida e pergunto-me: será que as árvores estão mesmo mais bonitas ou sou eu que me estou a transformar numa vetusta anciã?


Semanário de obra


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Já me tinha olvidado deste flagelo...

A pessoa põe a árvore lá no cantinho da sala, para ficar fora do ângulo de visão, uma coisa estudada especificamente para que os meus velhos olhos não sejam incomodados por aquela profusão de luzes e cores, mas a pessoa esquece-se que a sua Auxiliar de Roupa e Lar fica possuída pelo espírito da época e vê a árvore de Natal como um mero tiro de partida para um hardcore Christmas Decor, uma coisa mesmo da pesada, todas as decorações de Natal acumuladas por gerações e gerações de devotos natalícios são retiradas das caixas e expostas em qualquer recanto mais apetecível, a pessoa entra em casa e tem tem de se segurar a uma parede, tolhida pelo choque de se deparar com uma exorbitância de Natal por todo o lado, de tal forma que chega a pôr a hipótese de ter confundido a morada e ter entrado por engano numa loja do gato preto...

Deixo aqui um singelo exemplo da situação que me rodeia...     


E mais outro, para que não me julguem exagerada...


E só mais um... 


E, pessoas... não julguem que isto é tudo. Eles estão por todo o lado!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Vida (ir)real

Estava eu a tomar o pequeno-almoço, a minha torrada com o sumo de laranja, sentadinha numa mesa, muito quietinha, ainda meio a dormir, o frio a entrar-me pelas mangas do casaco que não despi, quando entram dois homens que se sentam à minha frente, numa outra mesa, um deles estava muito zangado, falava muito alto, era por causa das escalas, que não eram rotativas, ou lá o que era, e ele ia dizer ao chefe, e esbracejava, e virava-se na cadeira, e jogava os braços ao alto, e batia no tampo da mesa e gesticulava mais um bocadinho, e eu lá ia seguindo aquela fúria, assarapantada, como se estivesse a ver uma série emocionante na televisão, pá, 'tás a ver, eu não 'tava a contar com esta merda e já tina combinado as minhas cenas c'a Sónia e vem o gajo e diz-me isto , f***-se..., mas nisto chega o pequeno-almoço, o homem zangado saca do telefone, junta a sua cabecinha à cabecinha do seu amigo, fazem ambos um sorriso de de felicidade celestial e etérea, eles e o galão e as torradas todos juntos numa bela selfie, repetiu a coisa várias vezes, não fosse dar-se o caso das torradas serem apanhadas num ângulo que não as favorecesse, postou a coisa lá na rede social das vidas perfeitas e retomou de imediato e instantaneamente a vida real . Irado e aos gritos.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Blogger Quixotiana - um case study

A Blogger Quixotiana é uma blogger que se faz acompanhar em permanência de Rocinante, o seu fiel cavalo, e, tal como D. Quixote lutava contra os moinhos de vento, a blogger luta laboriosamente contra blogs que nem sequer reparam que estão em guerra, numa espécie de one-man-war, em que, sozinha, dispara a arma, dá o corpo às balas e leva para casa uma medalha por feitos heróicos, numa incrível e fatigante luta solitária e unilateral.

Palmier Encoberto vestiu o seu melhor outfit safari-style, perfumou-se abundantemente com a fragrância da sua preferência - com uma formulação química estudada nos laboratórios mais reputados com o objectivo de repelir os insectos mais assustadores- e embarcou numa expedição aos confins da selva mais remota, onde descobriu uma Blogger Quixotiana no seu habitat natural, vejam com os vossos próprios olhos, numa estreia absoluta, aquilo que se julgava ser um mito da blogosfera mas que é, afinal, muito real:


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Acho que não pensei nas consequências do meu acto...

Quando, no outro dia, olhei para o espelho e achei que o meu cabelo icónico estava demasiado comprido e lhe dei umas tesouradas à louca, não me ocorreu que teria de ter uma boa explicação para ostentar este corte eficaz porém algo assimétrico. Agora tenho vergonha de ir ao cabeleireiro.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Lembram-se daquela situação do meu pai querer comprar um carro racing amarelo saia da Neuza?

Esta situação que aqui vos relatei num momento de desespero, estão recordados? Pois bem, na altura, e depois de uma ligeiríssima pressão familiar, o meu pai foi obrigado a cair em si e, muito contrariado, acabou por comprar o dito carro, mas em preto. Acontece que aqui há uns dias o meu pai foi deixar o carro à oficina, só que em vez de o ir deixar à oficina da marca, coisa que faz sempre, derivado do seu amor profundo às viaturas, foi deixá-lo a uma oficina indiferenciada. Muito estranhou a minha Maman tal facto, pelo que empreendeu de imediato uma aturada e profunda investigação sobre o estranho caso da escolha da oficina, cujo relatório preliminar - posso já avançar em primeira mão-, aponta para a seguinte conclusão: o carro racing preto foi para a oficina indiferenciada já que, na oficina da marca, se recusaram a pintar as jantes de amarelo saia da Neuza...


sábado, 26 de novembro de 2016

Diz-me, Palmier, porque é que vocês, os bloggers famosos, não fazem posts aos fins-de-semana?

Então, é para que vocês, os bloggers pouco ou  nada afamados, pensem que nós estamos muito ocupados a fazer programas espectaculares com as nossas famílias de sonho.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O estranho caso de Tagik, o berbere contador de estórias - segundo fascículo

Quando amanheceu, o rei apercebeu-se que sonhara com uma esfinge que lhe revelara a localização exacta do país em que os homens tinham como ofício a criação de contos, mas antes que pudesse reter a resposta, ela diluíu-se num remoinho criado por Poseidon que a levou, juntamente com um cardume de pequenos peixes dourados, para as profundezas do oceano. Confrontado com um problema de tamanha magnitude, o rei, na sua busca incessante pelo País dos Homens que Escreviam Contos, foi a Roma, ouviu abades e sacerdotes, participou em sínodos com os mais reputados teólogos, comungou em basílicas e orou de joelhos nos mais diversos conventos, o sumo-pontífice recusou-se a recebê-lo, mas o rei vingou-se pecando na Sicília, onde contactou mafiosos que, dizia-se, tinham a chave do enigma. À procura, sempre à procura, por toda a parte, a perguntar, a fotografar, a filmar, vinte e dois contentores repletos com todas as provas que ía recolhendo, mas a resposta, a localização exacta do País dos Homens que Escreviam Contos sempre a fugir-lhe, a escapar-lhe por entre os dedos. Em Creta procurou nas ruínas do labirinto de Lesbos. Foi a Meca. No Mar Vermelho mergulhou com pescadores que murmuravam à socapa que o País dos Homens que Escreviam Contos se localizava no fundo do mar. Na margem do Nilo, perto das pirâmides, atravessou uma passagem secreta que, acreditava-se, o levava ao seu destino, mas quando a transpôs, o rei deparou-se com a múmia de Tutankhamun que lhe lançou uma maldição... 




Fascículo 3 - AQUI



Acho que entrámos naquela fase em que parece que nada avança...



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Há uma linha ínfima entre ser ultra-eficiente e disruptivo

 É paradoxal que, ao querer-se atingir o pináculo da perfeição, confrontando (ainda que inconscientemente) os outros com as suas imperfeições, se perturbe de tal forma o funcionamento normal de um grupo, que a produtividade, ao invés de aumentar, acabe por diminuir, causando assim mais inconvenientes que vantagens.


Explicar isto é praticamente impossível.