sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Ainda por causa das pessoas que se incomodam com crianças

Acabou de acontecer. Com a minha filha! Na praia! E atenção que não estamos numa praia pequena e apinhada de gente. Estamos numa praia enoooooooorme e numa zona semi-vazia. A minha filha (sete anos) estava a jogar à bola na areia seca, longe de toda a gente, com dois amigos (de cinco e sete anos respectivamente - não estamos portanto a falar de Cristianos Ronaldos com pontapés de duzentos quilómetros hora), quando chegou uma família constituída por pai, mãe e filha pré-adolescente. A família entendeu por bem pousar as coisas no local exacto onde as crianças estavam a brincar (e, pessoas... se havia quilómetros de areal por onde podiam escolher...) e a "mãe" ordenou-lhes que fossem jogar lá para cima, "porque não estava para apanhar uma bolada". Eu, que estava à beira-mar, apercebi-me desta estranha alteração de posicionamento mas nunca me passou pela cabeça a razão de ser do mesmo. A minha filha contou-me isto agora e acrescentou que, enquanto estavam a brincar, terá perguntado a um dos meninos se sabia o seu nome completo e eis que a dita criatura lhe grita do chapéu-de-sol: "o teu nome é Barulhenta!".

Estou neste momento com o olho a tremelicar com tiques nervosos... temam o dia de amanhã!

Monocromático

O cão castanho dorme na cadeira castanha e, a meio da noite, todas as noites, vai buscar a bolsinha castanha dos medicamentos para se aconchegar. O cão castanho monocromático é bem capaz de ser hipocondríaco.


quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

O meu pai também devia ter um blog

Sentado numa cadeira de palhinha esmago com os pés insectos de inúmeras ordens e formatos. Em redor o branco ladrilhado do chão é uma amálgama viscosa em estertor e interrogo-me se se tratará de um jogo e, nesse caso, se os espécimes terão diferentes cotações, quando, sem o esperar, entra uma mulher; tinha visto um passarinho e descreve-mo. Concluo que se trata de um insecto voador, enorme, raro e venenoso.


Sonho, a Lua, o fundo do mar, aves engaioladas - mas as gaiolas voam! - e uma colossal construção com uma máquina iluminada e solitária, cuja secreta tarefa não consigo imaginar. As paredes vibram, encolhem e dilatam, superfícies de dimensões incomensuráveis que se cruzam como bissectrizes caleidoscópicas. Fujo. Na capa de um jornal a minha fotografia: juiz, salteador e testemunha! Aos tiros mato dois cúmplices e uma mulher de negro reconhece-me mas não tenho a minha cara. Corro por um complexo deserto e, sem destino, perco-me nas trevas. As trevas não são negras. São azuis, do azul mais profundo. Estendo um braço nas trevas azuis e encontro uma resistência, geleia, coisa húmida, espuma, tecido ou gás pesado. Empurro e atravesso. Do outro lado é dia. Quero sair mas a porta, empenada pela humidade, opõe-se á abertura e tenho de assaltar o mundo pela janela. Lá fora uma longa fila de rostos contraditórios em ordem nem sempre consentida, clama horrorosas aflições. O meu lugar é sentado a uma mesa onde os atendo. Conheço-os, são lógicos, paralógicos, profetas, renegados, emissários, vitimas e agressores, muitas vezes de si próprios. Alguns são apenas simples, outros, falsamente múltiplos, procuram-se entre espelhos paralelos e não se entendem entre eles. Soturnos e inquietos aglomeram-se, ansiosos por virem até mim. Vêm e eu observo-os circunspecto, oiço-os e por vezes falo-lhes ou mexo-lhes e a todos dou impressos onde traço gatafunhos. Compadecido, ofereço muitos aos mais atormentados, outras vezes, enfadado, dou só um. O da frente grita que lhe esconderam em casa um animal medonho, víbora ou escorpião. Chora, implora e ameaça, armado de tenaz. A mim parece-me que talvez não exista mas a dúvida oprime-me, penetra-me e petrifico num oblongo prisma multifacetado. Então sou aspirado, invertido negativamente, e parto, turbilhão atravessando pela vertiginosa rede de dimensões convergentes, até ao zénite, à minha verdadeira identidade.

NÓS, AHNIRALC, DEUS-IMPERADOR DAS SETE GALÁXIAS NODAIS, PRIMEIRO E ÚNICO DA NOSSA DINASTIA, senhor supremo de cem mil milhões de mundos, despertamos:  semideuses, heróis, sábios, eminências e seus séquitos prostrar-se-ão até ao horizonte, suspensos das nossas manifestações. Eles não entendem que todos os acontecimentos possíveis têm de ocorrer e que, por isso, lhes concedemos a liberdade do arbítrio. Com hinos nos invocam mas também nós buscamos algo ou alguém, superior, igual ou simplesmente imprescindível, ordenamos ao mestre geómetra que maneje o seu compasso. De novo na matriz, precipito-me na exponencial perpétua de instantes que se bifurcam, afastam e interceptam, abrangendo todas as séries de probabilidades. Numas existo de uma maneira, noutras de outras. Não existo em muitas, em algumas existes só tu, noutras não existe ninguém. Não quero viver na eternidade mas no tempo e reencarno. Sou uma membrana infinitesimamente desdobrada, um remoinho, um ser difuso no espaço, um padrão, um gene, um réptil gigante e outras formas. Agora estou entre duas superfícies, uma na qual repouso, outra suave e doce, que me cobre e que me beija. Fico. Sonho e os seus beijos, presentes do passado, apagam todas as outras recordações. Não sei onde estou, não sei quem é ela, não sei mesmo quem eu sou. Poderemos ser qualquer homem com qualquer mulher. Então, abraçados, eu, que sou todos os homens, e ela, que é todas as mulheres, queremos ser também o outro. Fundimo-nos um no outro, em brasa, confundidos como notas de interminável escala, sucessivamente sobrepondo nascença á morte. Mais tarde abro os olhos e verifico a sua metamorfose. Não é um novo aspecto, qualidade, força, nem sentido, mas é uma diferença inestimável. Damos as mãos, rimos, rasgamos a seda do casulo e lançamo-nos para o céu. Ela, borboleta, rodopia numa espiral que se afasta, livre, para o Sol ou para a chama. Eu, sombra de um sonho, talvez também metamorfoseado mas áptero, caio de novo no sono. Quando acordo, recordo o dia anterior como se ocorrido outrora, mas amo-a, como ela me ama, na intemporalidade das nossas memórias. Procuro-a mas só encontro uma mensagem, três símbolos idênticos que não consigo decifrar. Parecem flores ou aracnídeos e a todos faltam pétalas ou patas em posições variáveis. Anoiteceu. Das paredes dilatadas, medusas, animais ígneos e outras estranhezas observam e murmuram. Apago as luzes e refugio-me no escuro até que a sinto deslizar. Abraçados bebemos, fumamos e rimos das sombras negras das suas asas dançando nas paredes ao ritmo dos estalos da minha  cauda. É festa e mais tarde persigo-a, relinchando, entre ruidosos convivas que incitam e aplaudem.  Como um morcego pendura-se no tecto. Grito, salto, mergulho sobre um grupo de sereias e envolvo-me com elas, a escorrer, a espadanar, a música estridente, os uivos e os urros da orgia, anjos ébrios, criaturas libertas, sem medo nem esperança. Lá em baixo a terra vibra e treme martelada por explosões descomunais. O céu está rubro dos incêndios, a turba em pânico, as máquinas, as luzes, os gritos. Toda aquela aflição, a destruição, aquele desatino, o pavor das pessoas, tudo aquilo me dá uma inebriante vontade de rir. Gargalhadas incomensuráveis, não consigo deixar de rir. É a guerra mesmo que me dá vontade de rir, aquela loucura tinha uma qualquer incongruência humorística à qual era impossível escapar. Rebolo-me a rir, rastejo, arrasto-me a rir e bato a um portal.  É um quartel repleto de inimigos! Como me rio! Enquadram-me nas suas miras e também riem, rimo-nos todos às gargalhadas e matam-me.


Incorpóreo pairo num limbo ou estupor povoado por entidades, coisas, ou forças que se defrontam em pesadelos inenarráveis. Aí vim a saber que para igualar o criador há que aniquilar a sua obra e que não pode haver senão um fim:  tudo o que foi criado será destruído e o ciclo fechar-se-à.  


Nem um só momento suplementar. Lá fora é noite enevoada e muda. Percorro a casa, congelada, quase irreconhecível, o relógio parou, não sei se vivo um presente, um passado ou um futuro, a noite pode ser qualquer noite.   Desorientado regresso á solidão da cama e adormeço. Compreendi que estava a sonhar e tentei despertar mas pensei: é inútil, não despertarias para a vigília mas para um outro sonho; esse sonho está dentro de outro sonho e assim sucessivamente, sem princípio nem fim! A  revelação penetra-me como uma fulguração: nada existe, ou seja, tudo é sonho!


Fico imóvel, mudo e cego, nem morto nem vivo, vazio, sem forma nem substancia, só essência, pensamento puro. Qualquer mente, privada do que lhe dá identidade - a memória da própria história - seria o que eu sou, eu que fui todos os outros e, destino paradoxal, não sou ninguém. Sou uma mónada de intelecto, memória evanescente de ilusões, nas quais eu e outros nos esfumamos como fantasmagorias de sonhos que fomos. Sou consciência sem mundo, um ponto sem espaço, uma aberração absoluta na abominável normalidade do não ser. Sou infinito porque não há princípio nem fim, omnisciente e  ubuiquo porque nada existe fora de mim e sou a medida de todas as coisas, ou seja, de mim mesmo.  Sem dúvida: SOU  DEUS!

Então, absolutamente sábio e sereno, medito: dividir-me em dois e assim sucessivamente - gerando todas as partículas da dinâmica universal - ou sonhar todos os homens e, através deles, os seus mundos e, inexoravelmente, reinicia-se a criação, e o mundo existe, eterna poeira de sonhos, coisa lunática, pretérita e paradoxal, um mundo tonto criado por um deus tolo.

O dia começa ao anoitecer e dura até ao  amanhecer seguinte.   




A recuperar do susto


Lá teria de ser...



(teve de ser pescado... uma vez que, em vez de ir para as escadas, ficou a tentar, sem qualquer sucesso, sair pela borda...)

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Em frente ao Hotel

Era a referência: "Estamos na praia, em frente ao Hotel". O Hotel onde me ia afogando na piscina, naquele dia, ao fim da tarde, em que o meu pai estava na espreguiçadeira a ler um livro e a fumar cachimbo e eu andava a nadar na parte funda com uma bóia azul turquesa de um lado e amarela do outro. Acontece que a bainha que ligava a parte azul à parte amarela se descolou e, de um buraco enorme, começou a sair ar em golfadas que fazia bolhas na água. Num segundo a bóia estava cheia e no segundo seguinte não passava de um bocado de plástico inútil a puxar-me para baixo. E eu, pequena que era, lembro-me de olhar para aquilo sem saber o que fazer, mas com a clara percepção que dali não ia sair nada de bom. Quando comecei a ir ao fundo, o meu pai levantou-se, parece que estou a vê-lo, altíssimo, com o seu eterno panamá branco, deu um mergulho de cabeça e salvou-me. Ainda hoje vou à praia em frente ao Hotel, mas o Hotel já não está lá. Do Hotel só resta um buraco enorme na terra, um buraco quase igual ao da minha bóia.




Cutxi, a espalhar charme há muito mais tempo que o Tufão!

Porque uma Diva é uma Diva!




segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Pool drink! :D


Por causa daquela coisa dos bebés que incomodam pessoas que querem relaxar por completo em restaurantes

São realmente muito incomodativos os bebés que ousam roubar momentos românticos aos incautos casais que tiraram a noite para namorar e, por isso mesmo, devemos ser inflexíveis com essas situações! Assim sendo, proponho a aprovação de legislação adequada para prevenir ocorrências do género, com penas pesadas para as mães histéricas, com muito pouca atenção em casa e ultra-fundamentalistas, que persistirem em levar os seus rebentos para locais onde adultos responsáveis trocam palavras de amor e olhares libidinosos, desconcentrando-os, com a sua choradeira, desse nobre afazer. Como forma de combate a esta situação extremamente nefasta, apresento para votação à Assembleia da Blogosfera, a seguinte proposta de Lei:
1- Quem, contrariando esta lei, persistir na intenção de levar bebés incomodativos para restaurantes, será punido com pena de prisão de 5 a 10 anos.
2- caso se verifique a presença de um bebé chorão num restaurante, reunir-se-à de imediato uma equipa de Chefs que, com tenazes, confiscarão o referido bebé, levando-o imediatamente ao forno, em molho de vinha-de-alhos, cama de azevinho e rodeado de batatinhas novas.
3- o bebé chorão será posteriormente servido em travessa de prata ao casal romântico cujo namoro foi intempestivamente interrompido, acompanhado de um Barca Velha 1999, permitindo, não só que o casal seja ressarcido dos momentos a dois de que foi violentamente privado, bem como uma vingança justa e proporcional,

É que não podemos ser complacentes com estes comportamentos desviantes, caso contrário corremos sérios riscos de ver o mundo tomado por estes pequenos gremlins. Assim sendo, juntem-se a mim! Unidos, vamos conseguir livrar a sociedade deste flagelo!




quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Depois há o outro lado...

Se as mulheres têm de se tapar e esconder... os homens encontram as formas mais inacreditáveis de se exibir...

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Brincadeiras à parte

Aqui onde estou há muitas famílias árabes. Marido, mulher, filhos (muitos) e outras pessoas que orbitam em volta da família, mas que não consigo perceber qual a relação familiar com o núcleo principal. Com o pouco que há para fazer, vou-me entretendo a observar e, digo-vos... se, em ambiente de cidade, já nos vamos habituando a ver as mulheres árabes com os seus lenços e abayas (esta aprendi com a Sexinho), em ambiente de praia a coisa atinge proporções verdadeiramente aflitivas. Se as pequeninas ainda podem ir para a piscina de fato-de-banho, as pré-adolescentes já têm de andar cobertas com o equivalente ao nosso fato de surf (aqueles de manga curta e pelos joelhos), mas em largueirão, e as adultas (as mais modernas! Porque as mais ortodoxas - que também as há - nem se aproximam da piscina) com um fato preto de lycra (equivalente aos fatos de pesca submarina, mas em largo) que lhes cobre desde o cabelo até aos pés, ficando apenas a carinha de fora. Os meninos andam na maior... de calções em matchy-matchy com os respectivos pais...
Ora eu não sei como é que elas se sentem no meio de pessoas de biquini, mas presumo que o choque que é para mim ver famílias inteiras a tomar banho vestidas integralmente de preto, deve ser para elas verem as ocidentais todas descascadas e em biquini...  

A verdade é que está cultura é poderosamente hegemónica e capaz de lançar um enorme manto castrador à sua volta... é que se ontem não hesitei em apresentar-me  na piscina de biquini, hoje estou de fato-de-banho... 

Cutxi, mostra aos senhores onde andas!