quinta-feira, 28 de abril de 2016

O descalabro em Tanganica

Cuca, a Pirata do Lago, uma simples pirata de água doce, uma pirata que sonha com a água salgada, que aspira a navegar em mar aberto, subir vagas de vinte metros e enfrentar ventos ciclónicos de fazer enfunar as velas, vendo-se assim remetida a uma vida encalhada no remanso das águas paradas, com o casco pejado de mexilhões e uma tripulação indolente que chapinha de biquíni em águas paradas com menos de um pé de profundidade, entendeu por bem - como forma de me coagir a renunciar ao estatuto de Preferida - praticar o dognapping, ou seja, raptar pequena Cutxi. Sim, pessoas, ouviram bem! Cuca, a Pirata do Lago, ousou envolver uma criatura doce e inocente nesta guerra suja e mantém-na em cativeiro nas mais abjectas condições: num ano em que as tendências ditam ombros à mostra e sandálias prateadas, Cuca, a Pirata do Lago, vestiu Cutxi de pirata e amarrou-lhe um lenço ridículo e completamente out à cabeça. Eu sei... também ainda não estou em mim... 

Assim sendo, peço que se juntem a mim no esforço hercúleo de recuperar Cutxi. Que sigam o exemplo dos dois arqui-inimigos, o Senhor Ministro e o Outro Ente que, conscientes da gravidade da situação e da grandeza da causa, esqueceram os seus diferendos e deram as mãos na busca e salvamento de pequena Cutxi, Vamos dar o tudo por tudo! Vamos arrancar pequena Cutxi às garras da Pirata do Lago e trazê-la de volta para casa! Sã e salva!  


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Provas! Eu tenho provas! E agora, vão continuar a negar o óbvio?!

Fotografia tirada ontem, na minha incursão à Metalurgia de Medalhas camuflada no interior da crosta terrestre.



Cuca, descobri tudo!

Depois do que ontem se passou, não pude deixar de passar a pente fino as margens do Lago Tanganica, havia qualquer coisa no ar, qualquer coisa que me fez desconfiar, e assim, fugindo às garras de Sansão, o Pássaro-Alfa, embrenhei-me por entre a vegetação, farejando tudo, desbravando todas as pequenas elevações e depressões, subindo às árvores mais altas e mergulhando nas águas mais turvas, até que, quando estava prestes a desistir, encontrei uma velha taciturna com cerca de duzentos e oito anos que guardava a entrada de uma toca suspeita, uma toca semi-oculta por teias de aranha gigantescas e emaranhadas que, percebi depois, desembocava num intrincado sistema de tubagens que nos levava até à ao núcleo da terra. Apesar do medo que me tolhia os movimentos, não pude deixar de avançar por ali a baixo. Andei horas e horas, perdida, desorientada, até que... Ainda hoje não acredito nos meus olhos. Lá em baixo, nas profundezas, e sob o efeito de um calor infernal, uma metalurgia de medalhas funcionava a todo o vapor, o ouro era vertido nas formas por pequenos gnomos, enquanto um grupo de duendes, um pouco mais à frente, cunhava as medalhas numa linha de produção imparável. "A Preferida de Pipoco Mais Salgado" escrito e rescrito biliões de vezes. Centenas de medalhas por minuto, milhares por hora, centenas de milhões a cada dia. No final da linha de produção uma task force de fadas atarefava-se a embrulhar as medalhas em pequenas caixas de veludo estrelado e um grupo de eficientes secretárias de camisa branca e óculos de massa preta etiquetavam os envelopes com o nome dos destinatários. Os carteiros da UPS esperavam amontoados com os seus camiões TIR prontos a partir. As moradas eram as de todos os blogs femininos do universo. Devolve-me a Cutxi, prepara os canhões, junta-te a mim. Vamos rebentar a mina de sal!



terça-feira, 26 de abril de 2016

O quê?!

O que é esta infâmia, este opróbrio, esta ignomínia?!

Tragam-me os sais! E os canhões!

(e já nem vou falar nisto, que isto, enfim, pelas incorrecções climatéricas que o texto encerra pode bem perceber-se que é uma lenda falseada!)


Reparem...

Não sei se já deram por isso mas é por demais evidente que eu sou a preferida do Tio Pipoco.













Na verdade não sou muito diferente de Canis

Ando sempre aqui, de blog em blog, a ver quem é que quer brincar, entro com a minha bolinha na boca, orelhas a dar a dar, vou pousá-la aos pés dos donos dos blogs, às vezes dou-lhes com a patinha, chego mesmo a empurrá-los com o focinho, e fico a olhar, de olhos brilhantes, muito atenta, à espera que ma atirem, mas que a atirem com força, para longe, não que a atirem ao chão, para subir muito alto, que para isso basta saltar para a apanhar e isso é demasiado fácil e não tem muita graça, mas, como ia dizendo, fico sentada à espera que me atirem a bola com toda a força e para muito longe, para o meio do campo, para eu então disparar a correr muito depressa e regressar com a cauda a abanar, a fazer negaças e com um post bem seguro entre os dentes.

Mas parece que agora ninguém quer brincar, estão todos muito sérios e crescidos, por isso vou para ali para um canto, com a minha bolinha, enrolar-me sobre mim própria e dormir o dia todo.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

E depois a pessoa vem buscar os seus filhos à escola

E a coisa está complicada para estacionar, que é véspera de fim-de-semana comprido e os pais estão todos à espera para partir para as mini-férias, e a pessoa avança com o carro para ver se há um lugar, mas está um pai com uma banheira Mercedes atravessada na estrada a empatar o trânsito todo, e a pessoa avança mais um bocadinho, e depois vagam dois lugares ao mesmo tempo, e a pessoa faz a manobra para estacionar no lugar mais longe do pai com a banheira Mercedes, mas o pai da banheira Mercedes fica aflito, pensa que a pessoa lhe vai furtar o lugar, então vem por ali de marcha atrás a toda a velocidade, e a pessoa a apitar, piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, e TAU! Que o meu carro até deu um salto para trás. A pessoa então mete marcha atrás, estaciona no tal lugar onde ia estacionar, sai do carro, olha para o para choques, a coisa não foi grave, uma pequena amolgadela, os riscos saem com a mão, mas ainda foi uma bela panada, o pai da banheira Mercedes estaciona lá onde ia estacionar, a pessoa fica à espera a olhar para a banheira. E o senhor fica dentro do carro. E a pessoa a olhar, e o senhor lá está, tranquilo da sua vida, e a pessoa a olhar, já de boca aberta, e o senhor dentro do carro a mirar o horizonte, e a pessoa ali, feita parva, à espera que o senhor saia, que peça desculpa, os minutos a passar, e o senhor barricado na sua banheira. E a pessoa não percebe o que é suposto fazer, fica só ali com os olhos esbugalhados, à espera, e passados mais de cinco minutos, o senhor, talvez estranhando a minha presença ao melhor género estatuária, no meio da estrada, percebendo talvez que eu não estava ali a admirá-lo pela sua estonteante beleza, lá abriu a janela e perguntou-me com um ar muito espantado "eu bati-lhe? Sim, bateu! Olhe, então desculpe" E pronto. Depois escrevi este post.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Palmier, agora como Embaixadora de Hollywood, tem a honra de vos apresentar

O novo Star Wars!

Um thriller psicológico e arrepiante passado num cenário de ficção científica onde os dois protagonistas, um cavaleiro do século XVII e um político em funções, disputam as atenções femininas do blogomundo, com ameaças, conspirações, perseguições e meios de locomoção vários, uma luta sangrenta com um final absolutamente imprevisível. A não perder.



Em cartaz, em dois blogs perto de si.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Que nervos! Estava a ver que não me convidavam para ser embaixadora de nada!



Mas ontem deu-se o milagre, o Senhor Joaquim Capoeira telefonou-me ao fim da tarde a propor-me o cargo de Embaixadora do Aviário Asinhas de Frango e eu, claro, nem hesitei. Nunca pensei dizer isto das galinhas, mas são de facto lindaaaaaaas e, sobretudo, muito inteligentes. O espaço estava giríssimo e todo o evento no foi aviário foi absolutamente encantador, galinhas a esvoaçar, ovinhos por todo o lado e um cacarejar de fundo que nos embalava, uma coisa adorável, praticamente zen - com tudo pensado para que as crianças participem nestas parcerias e para que pais e filhos se divirtam loucamente. Enfim, finalmente um cargo à minha altura e dimensão blogosférica.

UM POST EM PARCERIA COM O AVIÁRIO ASINHAS DE FRANGO

(estas galinhas foram-me oferecidas no âmbito desta parceria e já não imagino a minha casa sem elas!)


segunda-feira, 18 de abril de 2016

Caramba, como é que nunca me lembrei de dar importância à minha barra lateral?!

Assim sendo e remodelando de imediato os procedimentos, peço à orquestra para tocar os primeiros acordes, agora podem entrar os trompetes, isso mesmo!, para anunciar a entrada directa para o top... espera, deixa-me lá ir contar quantos lá estão para criar já um regra, vinte e dois, top vinte e dois dos blogs Palmiéricos, aos dois incríveis blogs, rã-tã-tã-tã-tã:

- A F-L-O-R em A FACA NÃO CORTA O FOGO!

Palmaaaaaaaaas, gritos e vivas!

E ainda ao, calma, não estejam nervosos, um dia há-de ser o vosso dia,  rã-tã-tã-tã-tã:

- A SUA EXCELÊNCIA, O SENHOR MINISTRO!

Yeahhhhhh! Uúúúúúúúúúú! Viva! Vivaaaaaaaaaaa!


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Coerência

Enquanto o Governo prepara um PEC, que isto à esquerda não há cá austeridade, c'orror, o Bloco propõe que passemos todos, os faltosos e os assíduos, a ter 25 dias de férias em vez de 22.


OMG! OMG! Já tenho uma espécie de chão!



Parece que é na Terça-Feira que vão encher a placa, mas nunca se sabe, que esta obra não é mais que um imprevisto, aliás na minha cabeça a obra já se tornou numa coisa com vida própria, quase como se não tivesse objectivo, como se fosse uma coisa que está ali a acontecer não se sabe para quê. No princípio sonhava literalmente com o resultado final, imaginava acabamentos, via-me a acordar numa casa cheia de luz, a adormecer a olhar para as luzinhas dos barcos no rio, agora o resultado deixou de ter importância, como se a obra fosse uma tapeçaria para o Ulisses, uma tapeçaria eterna onde, por mais que se teça, nunca se verá o fim. E não é má esta sensação.  


terça-feira, 12 de abril de 2016

Em resposta ao post da Vera, a Loira

Talvez o que mais contribuiu para o desequilíbrio da minha balança de livros tenha sido a descoberta da Wook, a facilidade, o é só hoje, é só mais um, amanhã não compro nada, os arranha céus de livros a acumular-se por todo o lado, que com a mudança de casa em perspectiva já não faz sentido mandar fazer mais estantes, o meu pai, que exige sempre estantes com portas por causa do pó nos livros, no outro dia mostrou-se horrorizado perante a minha falta de organização livresca, a pilha de não-lidos a tomar proporções astronómicas, o total descontrolo, o carteiro que me bateu à porta, claramente um frequentador habitual com laços de amizade já criados, que me disse com tristeza por me ver a mim em vez da minha empregada, "ah, hoje não é aquela menina que me costuma abrir a porta...", pode assinar, por favor, que tenho aqui uma encomenda. E com um certo desprezo na voz, o desprezo de quem tem de carregar aquele peso de um lado para o outro, acrescentou... "é para a senhora do costume...".