segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Viajar está overrated

Fazer as malas, arrastá-las até ao aeroporto, entrar num tubito voador que fecha as portas e só as volta a abrir num outro ponto do planeta, sair do avião e inspirar um oxigénio diferente, ah, quantas exclamações, ver o mundo em grupo, ir aos locais turísticos, tirar as fotografias da praxe para mais tarde recordar, seja como turista assumido em frente ao Taj Mahal, seja como um turista-não-turista, de catana na mão no meio de uma floresta no Sri Lanka, abrindo caminho para o Resort-Natura, onde, à noite, um chef Thai cozinhará os pratos locais mais aclamados, but not very spicy, please!, voltar mais rico com as "experiências", que isto já se sabe, a nossa vida de hoje em dia é um acumulado de experiências, e depois, no regresso, tirar uma fotografia na aproximação à Portela, para postar no facebook com a legenda "ir é bom, mas o melhor é voltar", uma declaração de alívio de quem já cumpriu a sua pena de degredo, e depois imagino uma agência de viagens antes do seu tempo, uma banquinha ali à Torre de Belém, com um design em madeira marítima, uma bandeirola esvoaçante no cimo, e lá dentro uma senhora roliça com uma ampla saia rodada em tons azul e amarelo, a vender o "Pacote Descobrimentos: travessia para o Brasil - seis meses numa caravela, sem citrinos" e acho que teria sido um sucesso.

domingo, 30 de agosto de 2015

E depois o meu pai dá-me a sua obra para ler

E eu ponho-me a ler, muito concentrada, com toda a atenção, mas não percebo lá grande coisa, e continuo a tentar, a tentar, e ele diz que eu não posso ser céptica e senta-se ao meu lado, à espera da minha reacção, e eu continuo por ali fora, páginas e páginas como estas:




E tenho mesmo de dizer que isto deve ser muito bom, que o problema está em mim que não domino os conceitos e depois torna-se tudo muito confuso, e ele, já descrente, diz-me que mais à frente também há uns bonecos, e eu vejo-me remetida à minha ignorância, à procura dos bonecos, e vejo um:


E vejo outro:


E ao terceiro posso por fim emitir a minha abalizada opinião:


Olha! Esta é tal e qual a Manuela Ferreira Leite!


Última hora: contratação in extremis de novo Guarda-Redes para o SportEng


O JJ que ponha os olhos nisto!

E que tal esse Algarve, Palmier?



Foram-se todos embora. É a debandada geral. Ficaram os lençóis.


sábado, 29 de agosto de 2015

Aquele dia em que o mar engole a praia

E que as pessoas se deixam estar no chapéu, no mesmo sítio de sempre, com um pequeno murete de areia a fazer as vezes de muralha da China, desafiando a natureza, olhando o mar nos olhos, como navegadores experientes, mostrando-lhe que não têm medo, que ali ao leme do chapéu-de-sol são mais do que eles, são um povo que quer o areal que é seu. Depois é vê-los a saltar como gafanhotos, a salvar os sapatos, os sacos, a arrastar toalhas ensopadas, a verificar se os telemóveis sobreviveram, tudo numa roda-viva, a andar três metros para cima, embrenhando-se nas quentes areias desconhecidas para, dez minutos depois, começar tudo de novo. São sempre divertidos estes dias.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Ainda aquele fenómeno dos homens e dos carros imaculados

O dele (em primeiro plano) e o meu logo a seguir.


Nenhum foi lavado desde que viemos de férias. Descubra o porquê da diferença.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Coisas que me atormentam às 17h42 de uma tarde de Agosto

E se de repente começássemos a ouvir tudo, inclusivamente os pensamentos dos outros, aquelas coisas que todos pensamos mas não nos atrevemos a dizer, as que ficam no filtro? Se de repente os nossos pensamentos se tornassem tão densos que todos aqueles que estão à nossa volta os pudessem ouvir?

E se de repente todos os posts que estão em rascunho fossem automaticamente publicados?


OMG! É o fim de uma era!

A minha filha rebelou-se contra todo e qualquer matchy-matchy!

Ah, o Algarve em Agosto...

(O que me vale é este casaco do meu filho que aqui ficou esquecido em Dezembro...)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Apercebi-me agora mesmo de uma coisa incrível

Havia qualquer coisa na dinâmica dos blogs que me escapava, que me fazia espécie e que eu não conseguia perceber... e de repente,  estava eu muito bem aqui sentada e, puf, fez-se luz! A dinâmica dos blogs é tal e qual a dos clubes de futebol. As pessoas são por um blogger da mesma forma que são do Sporting ou do Benfica. É assim uma coisa mística, irracional, cada um traz o seu blog no coração sem que se saiba muito bem porquê. A única coisa que se sabe é que o Adeptor (que é um cruzamento entre o adepto e o seguidor) veste a camisola que o seu blog o manda vestir e defende o seu blogger até à morte.

Vejamos então um caso prático:

Imaginemos que a Adeptor A vai visitar o seu blog do coração e se depara com o seguinte comentário maléfico ali plantado claramente por um adeptor de um blog rival:

"________ (introduzir nome da blogger de coração) essas calças fazem-te a anca larga, não te favorecem nada!"

aquilo que a Adeptor A, extremamente perspicaz, lê, é:


Ora, uma afirmação assim, como bem sabemos, é um very light numa caixa de comentários e a partir deste momento, estão abertas as hostilidades!


Ora a Adeptor A, indignada com tal ofensa, apressa-se a deixar a sua resposta inflamada ao comentário maléfico, uma espécie de assobio quadrado a uma falta à entrada da grande área. Como bem sabemos, a partir deste momento instala-se o caos, e aparecem as claques em peso, seja as Super-Pipocas, as Juve-Frutas ou as No Name Bears.


e por fim, quando soa o apito final, ou seja, quando sai um post novo, as adeptors pegam nas suas munições, que guardam religiosamente para a próxima oportunidade, e deixam a caixa de comentários neste estado:


Claro que estes assuntos serão posteriormente dissecados nos blogs da especialidade, aqueles onde se analisam as táticas e as jogadas de cada um dos grandes e onde os especialistas em blogs darão então a sua balizada opinião.


E pronto! Tantos anos a tentar perceber isto dos blogs e afinal era tão simples!




I see things. I see many things.

Palmier Encoberto Summer Edition 2015. Porque estamos sempre a tempo de dar um outfit de Verão ao nosso blog.


sábado, 22 de agosto de 2015

A cassete

Sempre que se fala de uma empregada doméstica num blog, como se isto de ter uma empregada doméstica fosse para o empregador o pináculo do luxo, e para a empregada uma coisa praticamente a roçar a escravatura, há sempre uma alma que é levada pelo reflexo pavloviano a fazer um comentário daqueles, digamos assim, parvos. Imagino eu que essas pessoas activem o google alert para, sempre que surja um texto novo na net que refira "empregadas domésticas", largarem o aspirador (porque estas pessoas, como é óbvio, não exploram o seu semelhante no que a limpezas diz respeito) e saltarem para o computador para virem deixar o seu "comentário libertador dos oprimidos". Como é evidente, o texto abaixo teve direito ao seu próprio comentário pavloviano: 

"Realmente isto da criadagem que não sabe o seu lugar..."


Ora, apesar do texto abaixo não ser - de todo - um texto contra a Cilinha, a empregada doméstica - é, aliás, um texto que, julgo eu, encerra algum carinho - de facto, a Cilinha extravasou e em muito o seu lugar - ou melhor dizendo os seus direitos. Em primeiro porque faltou ao respeito a todos nós, sobretudo à minha mãe, em segundo porque o fez mais do que uma vez (não foi um acto isolado), em terceiro porque  faltou ao respeito às suas diversas colegas, agredindo fisicamente uma delas e, por último, porque se encontra a faltar ao trabalho sem dar qualquer justificação. E já nem vou referir o assédio (que levámos como uma brincadeira) que fez ao seu patrão. Isto para dizer que, independentemente da função e do trabalho de cada um, a par dos direitos existem deveres e tenho-me deparado muitas vezes (vezes demais) com pessoas que empunham a bandeira dos direitos, dos coitadinhos, dos oprimidos, como se aos que estão numa relação de trabalho subordinada fosse permitido tudo, e que se esquecem, ou fazem por esquecer, que seja-se empregada doméstica ou director de uma multinacional, a cada direito corresponde um dever, e que é do equilíbrio de ambos que se compõe a vida em sociedade.

E pronto, cara/o anónima/o, é só isto... é que esta visão do explorador mauzão e do explorado coitadinho causa-me urticária...


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A empregada ciumenta

A Cilinha é nossa empregada vai para cima de vinte e cinco anos, uma mulher simples, do campo, bata aos quadradinhos, estatura baixa, gordinha, cara redonda e voz arrastada. De há uns anos para cá e porque não está a ir para nova, no Verão, como a casa está muito cheia, temos arranjado uma segunda pessoa para a ajudar. Acontece que as coisas nunca correram lá muito bem, a ajudante nunca fazia nada como deve ser, queixava-se Cilinha, era uma preguiçosa, não passava o chão a pano, era uma finória com a mania da esfregona, não se mexia e o trabalho ali, todo por fazer, ai xodotôrãaaaa, dizia ela à minha mãe, ném quêra sabér, aquile é um problémã que p'r'áli estaá! Anos houve em que deixámos por conta da Cilinha a contratação da ajudante, mas as coisas não correram melhor, lembro-me de uma vez em que, confrontados com uma grande gritaria, acorremos à cozinha, onde demos com a Cilinha, possuída pelo Demo, a pegar na ajudante pelos colarinhos e a lançá-la pelos ares, contra a máquina de lavar roupa. Ainda me lembro da cara de surpresa da ajudante, olhos esbugalhados, óculos caídos no chão e a camisa, encarnada, com dois ou três botões a menos. E os anos foram passando e as ajudantes também. Cada ano uma nova. Cada ano as coisas corriam pior que no anterior. Acontece que há um par de anos a Cilinha foi acometida por uma doença grave, esteve de baixa cerca de um ano, e foi nessa altura que perdeu as vergonhas, vinha cá para casa mas como não estava capaz para trabalhar, deitava-se à sombra, nas espreguiçadeiras da piscina, mudou de estilo, começou a vestir-se de forma ousada, grandes decotes, saias curtas, cores garridas e a altas horas da noite, despida de pudores, começou a mandar mensagens ao meu pai. Mensagens picantes. Gostava dele por amor! Nos primeiros tempos pensámos que era alguém que lhe surripiava o telefone e mandava aquelas mensagens, não queríamos crer que aquilo fosse obra da Cilinha, e só o confirmámos realmente naquele dia em que fez uma terrível cena de ciúmes à minha mãe, acusando-a, gritando-lhe descontroladamente, de lhe querer roubar o xodotôreee. Percebemos então que era uma verdadeira paixão aquela que Cilinha nutria pelo menino Zé, o meu pai. Claro que foi uma situação deveras difícil. Despede-se a Cilinha ou não se despede a Cilinha? A Cilinha, depois de confessar o seu amor aos sete ventos e não se ver correspondida, entrava muda e saía calada, lançando olhares ameaçadores à minha mãe e, de castigo, não lhe fazia a cama. No entanto foi ficando, o que havia de ser da Cilinha se a despedíssemos? E a verdade é que dois anos decorridos sobre a cena de ciúmes, a Cilinha habituou-se finalmente a viver esta relação platónica triangular e sentia-se feliz.

Acontece que este Verão, e com o acordo da Cilinha, a nova ajudante ficou incumbida da limpeza do quarto do menino Zé. E a Cilinha disse que sim, que a ajudante podia ficar com o quarto do Xodôtoreee, mas o que não mata mói, e cada vez que a ajudante subia as escadas para fazer a limpeza, aquilo eram facadas no coração da Cilinha, facadas que faziam o sangue jorrar, como um rio revolto, do seu peito. De tal forma que a Cilinha caiu de cama enferma. Destes sentimentos só soubemos uma semana mais tarde, quando a Cilinha, ainda combalida, se apresentou para trabalhar. Trabalhar é como quem diz, que a Cilinha comunicou que não podia fazer a limpeza, nem passar a ferro, nem fazer as camas, tudo isto derivado dos nérves. Ora, perante tal situação, a minha mãe disse-lhe que era melhor ela ir ao médico, meter baixa para se recuperar, e depois, quando se sentisse melhor, voltava. Mas a Cilinha, perdendo novamente o controlo sobre as suas palavras gritou-lhe que aquilo da ajudante ir limpar o quarto do Xodotôreeee era uma afronta. Que aquilo ela não perdoava. Umas mãos estranhas a limparem o quarto do seu menino é que não! A mudar-lhe os lençóis, a aspirar o chão, a limpar-lhe o pó dos livros?! Foi demais, uma desconsideração como nunca se havia visto. E foi isso mesmo a Cilinha nos comunicou: Que se era para isto, que se ia embora. E assim fez. Há uma semana que não sabemos nada dela.



Pronto, sai um cartaz para a coligação



Um thriller imperdível que cativa o eleitor desde o primeiro momento!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Depois de milhares de pedidos...

Ei-lo! O cartaz para o António Costa!


Quando?! Quando é que me convidam para fazer os cartazes?!


Trend alert - VEGETAL

A partir do momento em que fui mãe, passei a ter um cuidado especial com a pele da minha família. Hoje em dia, sempre que vou à praia, não dispenso um bom creme vegetal, sem impurezas, com vitaminas e rico em ómega três, por forma a ostentarmos todos uma pele saudável e cuidada, praticamente de veludo! Na esteira do meu avô, que curava todos os seus doentes com o milagroso unguento Becel, eu cuido da pele da minha família com Vaqueiro!



Com Vaqueiro fica tudo mais apetitoso!