sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ainda aqui estou à espera...

(será que é aldrabice? Nã... não pode ser!)



Estranho...

Ainda não chegaram...!?

Devem estar a esmerar-se no crumble... sim, deve ser isso. Estou confiante.


Estamos com fome e não temos nada no frigorífico

As crianças, coitadinhas, com as barrigas a dar horas, choram desalmadamente a suplicar uma côdea de pão. E eu, para os acalmar, já lhes disse:

- Calma meus ricos filhos, a mãe é blogger, a mãe faz um post a relatar a nossa triste situação e vão ver que, daqui a meia hora, os senhores do Pingo Doce aparecem aqui em casa a cantar aquela musiquinha amorosa, com sorte até pode ser que seja o próprio Alexandre Soares dos Santos, que ele adora estas coisas, e oferecem-nos uma incrível refeição de take-away. 

Agora estamos aqui sentados na sala, à espera que toquem à campainha. 




Claro que isto não é uma forma de pressão...

Tive uma ideia para um novo header. A concretização está dependente da minha Maman. 

(já acordaste? Já estás pronta? Já estás a tratar de mim? Já? Já? Já?)



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Por outro lado... há que aproveitar as oportunidades!

Tendo em conta a grave situação que vivemos no blogomundo, se se viu obrigada a recolher ao bunker sem pré-aviso, se os víveres que tinha para fazer face a momentos dramáticos como este já se encontram fora de prazo, se o fogão de campanha não está a funcionar, se está com o ouvido colado ao transístor para estar a par das notícias do mundo lá fora, se está a planear uma bunker-party para esta noite ou se está simplesmente sem disponibilidade mental para cozinhar, não desespere, Palmier trata de tudo.



Com uma equipa de chefs de renome e um sistema de segurança alimentar à prova de bala, estamos disponíveis para atravessar campos de batalha, zonas de combate e terrenos minados para levar até si a refeição perfeita. 

McPalmy's
O take-away para todas as situações!




Estava um dia tão bonito e eu até ia falar de outras coisas...

Mas, tendo em conta a situação...




Acho que é mais prudente recolher ao abrigo nuclear.



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E agora?

Será que ficou curado ou tenho de levar o meu pobre blog para o hospital?

Hum...?

Querem lá ver que o meu blog também está com a virose do delay...?


Sinceramente...?

Sinceramente, não percebo a vossa implicância. Acho até que fazem gala em cultivar alguma má vontade contra o meu bom gosto em geral e contra a minha pessoa em particular. Eu bem sei que têm muita dificuldade em lidar com o meu sucesso no mundo da moda, com o facto de eu ser considerada o Cristiano Ronaldo do fashionismo e de estar na calha para receber já este ano o meu primeiro Sapato d'Oiro (sim, porque os de prata, ha-ha!, já os tenho calçados!)...





Mas pronto, tudo bem, já percebi que com leitoras como vocês, nunca terei paz. Assim sendo, vou fazer as malas e mudar-me de armas e bagagens para o blog da Pipoca Mais Doce. Aquilo sim, é um blog como deve ser, com comentadoras com visão, que gostam sempre de tudo e que dizem sempre que ela está gira. Um blog profissional com comentadoras profissionais! Não é como aqui, um blog profissional com comentadoras amadoras. Enfim, um desperdício do meu tempo e, pior, do meu talento! Mas, o que é que hei-de fazer?... é o país que temos... olhem... fui! 



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Abram alas para a Palmier, com a buzina a tocar! Abram alas para a Palmier, que no blogomundo vai brilhar!

É que uma pessoa que num estranho repente (que na verdade ainda está a tentar compreender e assimilar. Porquê, Deus meu? Por que é que eu faço estas coisas...?!) adquire uns sapatos prateados, tem obrigatoriamente de reclamar para si o primeiro lugar do pódio do blogo-fashion-world!



Pipoca Mais Doce... se prépára que eu vou'lhe ultrápássár!



(talvez tenha acordado para a realidade quando o meu filho me perguntou, estupefacto, se eram sapatos a gozar... só para o blog... não vais calçar isso, pois não, mãe?)


sábado, 17 de janeiro de 2015

Fiquei aqui a ler os papéis...

E depois da carta que, imagino, a minha avó terá escrito ao meu avô, deparo-me com o rascunho de uma outra, escrita pela mão da minha avó, não sei a quem e por que razão, mas, conhecendo a minha avó como conheci, quase me parece, esta sim, fruto da minha imaginação. Dizia ela em 1944:

Meu caro amigo,

Não sei se alguma vez estas minhas reflexões te chegarão às mãos, mas o meu poder de observação leva-me a fixar certos ditos que hoje te ouvi defender com um tal calor, que não me deixaram duvidas de que estás certo da tua razão. De acordo com a minha maneira de ver, de sentir e de viver, procuro sempre ponderar intimamente e no silêncio da minha alma, os direitos que todo o mortal tem na vida e, por isso, não gosto de pensar na superioridade como previlégio.
Sempre que se procura um convívio amigo, franco e sério, surge sempre uma ovelha negra que procura ferir, diplomaticamente mas de forma certeira, os menos ilustres, os menos favorecidos de inteligência e até de nível social, esquecendo-se que todos eles têm alma, sensibilidade e coração. Por tudo isto, desculpa que te diga, foste tu a ovelha negra da noite passada. Sou tua amiga e gosto de ter vaidade nos meus amigos, pois respeito-os e estimo-os e não gosto de os ver petulantes.
Vou dar-te a conhecer o que penso a respeito da superioridade tanto do homem como da mulher, pois ambos são os fazedores da vida e, como tal, do mundo. Tanto o homem como a mulher têm qualidades de inteligência equivalente e, por isso, a discussão acaba sempre da mesma forma que principiou. Se Deus tivesse querido fazer seres de apenas um único sexo, o mundo seria monótono e todos se queixariam desse facto, mas como Deus achou por bem dotar a humanidade com homens e mulheres, cada um se queixa do outro. Ora, tu sabes muito bem que há qualidades que distinguem e simultaneamente elevam homem e mulher. Na minha opinião o homem é a mais elevada das criaturas, mas a mulher o mais sublime dos ideais, o homem a águia que voa, a mulher o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma. O homem é o cérebro, a mulher é o coração. O cérebro fabrica a luz, o coração produz o amor. O homem é génio, a mulher anjo. O génio é incomensurável, o anjo indefinível. O infinito contempla-se, o indefinível admira-se. A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude extrema. A glória faz o que é grande, a virtude o divino. O homem tem a supremacia, a mulher a preferência. A supremacia significa força, a preferência o direito. O homem é forte pela razão, a mulher invencível pelas lágrimas. A razão convence; as lágrimas comovem. O homem é capaz de todos os actos de heroísmo, a mulher de todos os martírios. O heroísmo enobrece, o martírio sublima. O homem tem um leme, a consciência, a mulher uma estrela, a esperança. O leme guia, a esperança salva. O homem está colocado onde termina a terra, a mulher onde principia o céu.

Depois de tudo o que te descrevo, tens de concordar que homem e mulher são, afinal, um para o outro e não, como dizias ontem, um contra o outro. Espero que ponderes em tudo isto e, se o fizeres, estou certa que na próxima vez que nos encontrarmos apertaremos as mãos com amizade e respeito. Como mulher de fé que sou, conto contigo.

Um abraço com o tal aperto de mão,

J.


Estou aqui absolutamente estupefacta... é que, afinal, a minha avó era uma feminista do seu tempo! É estranhíssimo... nunca me dei conta.

Tenho

Uma caixa cheia de cartas. As cartas que o meu avô escreveu à minha avó durante o namoro, cartas que ela guardou religiosamente e que eu agora guardo por ela. Não tenho as cartas que ela lhe escreveu, que os homens são menos dados a coleccionar recordações, mas posso imaginá-las pelas respostas dele. Quase posso imaginar aquela carta que ela lhe escreveu naquele dia de Agosto de 1936, aquela que foi escrita num só fôlego, com breves paragens para molhar a caneta no tinteiro, quase posso ouvir o aparo a arranhar o papel, veloz, com com uma fúria contida, aquela carta em que ela lhe dizia:

Algés, 12 de Agosto de 1936

Meu querido Manuel,

Continuamos a banhos na praia de Algés. O tempo tem estado muito agradável e os dias quentes e sem vento, tão quentes que nos obrigam a ficar recolhidos na sombra, sem mais que fazer se não conversar com esta ou aquela. Imagina a coincidência que, dois toldos abaixo do nosso, está uma família do Algarve, os Cardoso Machado, que, tal como nós, escolhem sempre esta praia para passar a temporada. A Lili, que como bem sabes é menos acanhada do que eu, chegou à fala com as meninas Cardoso Machado através da Mitó Gomes de Albuquerque, pessoa das nossas relações e amiga de ambas as famílias. Pois vê lá tu que as meninas Cardoso Machado lhe contaram do sururu que a chegada de um médico solteiro e bem apessoado tem causado aí pelos Algarves. Parece que se fazem apostas entre as meninas casadoiras sobre quem o vai levar ao altar e, dizem elas, ele parece gostar das atenções e devoção que elas lhe prestam.

Escrevo-te hoje para te dizer que, na verdade, e à excepção dessa tua fila de pretendentes, nada mais obsta ao nosso casamento. Nem o pai, que de início se mostrou tão relutante ao nosso namoro, nem mesmo a tia Violeta, que foi radicalmente contra, mantêm as suas posições. Assim, querido Manuel, insto-te a que pegues na tua caneta e me peças em casamento. Caso contrário, e caso verifiques que não tens para isso ânimo, escusado será que me voltes a escrever.

Da tua,

J.

Casaram pouco tempo depois.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Eu bem sei que nem conseguiram trabalhar como deve ser, tal foi o estado de ansiedade em que ficaram quando eu, num momento extremamente emocionante, interrompi a minha extraordinária narrativa. Mas agora é assim que se usa. Aguentem-se. A vida é mesmo assim.

Ontem, durante uma reunião com bué da people, fui acometida de um ataque de espirros, mas não foi um ataque qualquer, foi um daqueles com vinte espirros de seguida, daqueles que não podem ser ignorados, aquele ataque de espirros que deixa uma plateia em suspenso. No desespero, deitei a mão ao bolso do sobretudo à procura de um lenço. Saiu uma meia.




E depois desta eternidade fora do Blogomundo, Palmier, não tens nada para contar?

Vamos lá ver se, depois de todo este tempo longe do meu amado blog, não perdi o treino... ora bem, revendo a imensa sucessão de acontecimentos que se desenrolaram na minha vida, talvez possa dar destaque a uma coisa em particular:

Pequena Cutxi tem um fetiche por meias. É verdade. Há quem adore sapatos, quem adore Tupperwares e quem adore cozinhas, já pequena Cutxi, adora meias. E está sempre à espreita, de olho nos nossos movimentos, a sondar o terreno, a fazer manobras de diversão, tudo com o fito de nos dar sumiço às meias. 

Ora, no outro dia cheguei a casa, abri a porta e, no meio do hall, jazia inerte uma meia. Uma meia furtada e posteriormente abandonada por pequena Cutxi. Uma meia do meu filho. E eu, enquanto me desembaraçava dos sacos que trazia nas mãos, peguei na meia e enfiei-a no bolso do meu mítico sobretudo, com a intenção de a ir deitar no cesto da roupa suja...