terça-feira, 22 de setembro de 2015

Breve análise da situação blogosférica

Aconteceu não se sabe bem quando, mas a coisa deu-se quando se tornou praticamente impossível publicar um post sem que as consequências explosivas se fizessem imediatamente sentir, quando se puxava uma simples linha e o periclitante equilíbrio do edifício da blogosfera ameaçava colapsar. Os bloggers, agrilhoados uns aos outros por uma pesada corrente de ferro que atravessava os escuros corredores dos bastidores do blogomundo e que garantia que se um fosse empurrado para o abismo todos os outros cairiam por arrasto, entenderam que, tal como os políticos, tolhidos por uma intrincada teia de interesses e amizades e presos ao politicamente correcto, o mais seguro era deixarem definitivamente de arriscar, levando a que a produção blogosférica se ressentisse de tal forma que, pela primeira vez em séculos de história, tivemos um período de blogo-recessão. 
E esta situação iniciou-se há já muito tempo, sem que seja possível precisar uma data específica, sabe-se apenas ter sido num dia em que um manto de espesso nevoeiro caiu sobre o blogomundo, um nevoeiro húmido e pegajoso que enferrujou as pesadas correntes de ferro que nos prendem uns aos outros e que fez crescer cogumelos nos nossos posts, foram tempos aterradores, tempos em que os bloggers, parados no tempo, ficaram cristalizados nos seus blogs, publicando textos sem alma, numa tentativa patética de garantir que o mundo lá fora não nos esqueceria, mas o manto de nevoeiro leitoso não deu tréguas e a Natureza começou a tomar conta dos nossos blogs, terríveis trepadeiras subiram pelas pernas das nossas secretárias de moderno design, enrolando-se nos nossos teclados e engolindo a pouco e pouco os nossos computadores, enlaçando-se depois nos nossos pescoços e, devagar, sem darmos por isso, adormecemos todos durante cem anos. Agora? Agora aguardamos pacientemente que um corajoso príncipe se aventure por entre a folhagem da trepadeira venenosa que nos rodeia e nos salve de nós próprios.



36 comentários:

  1. Palmier, não poderia discordar mais desta sua análise (e é sabido que eu só me aventuro por entre a folhagem da trepadeira venenosa quando tenho alguma coisa a dizer, o que é o caso). Na blogosfera não há nevoeiros densos que toldem seja o que for. Nos blogs há outros mundos para além do mundo dos "clientes habituais", pode sempre sair-se da rotina de escrever para não magoar aqueles que são o nosso público-base. Basta querer. Dá uma trabalheira procurar caminhos novos e desbaratar velhas alianças tácitas, seja por termos simpatizado em tempos com a escrita de alguém (que agora nada nos diz), seja por não nos apetecer cortar o laço a alguém que teve o seu tempo de interessante mas que agora esmoreceu.

    Nos blogs escrevemos, escreveremos, sempre aquilo que nos apetece e, se assim for, não há brilho que esmoreça. Temos é que, ás vezes, dizer que não, que não concordamos, ainda que tenhamos concordado lá atrás. E seguir caminho, por nós, não porque o tal príncipe resolva sair lá de onde está refastelado, a ver se lhe apetece ou não ter um rasgo.

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    1. Pois, bem sei que sempre que tenho estes momentos pessimistas nunca concorda comigo… vou então lançar-me de liana em liana com a minha cimitarra cravejada de pedras preciosas à cintura, a ver se desbravo novos caminhos…

      (Se entretanto não aparecer, alguém que vá à minha procura. Não vá dar-se o caso de cair da liana e ficar estatelada lá em baixo, por entre a vegetação)

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    2. Caros Palmier e Pipoco, já que estão aqui os dois, queria dizer que gosto muito quando não escrevem posts crípticos, que não entendo porque não percebo as indirectas. Gosto muito dos posts sobre as obras e os vinhos, os livros e as tias, os amigos e os cães. Beijinhos.

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    3. Ah, mas não é críptico... é só um desânimo. Eu quero brincar aos blogs e anda tudo muito ocupado com coisa muito sérias :)

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    4. Vá lá visitar as obras e depois venha-nos contar :)

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    5. Vou já pôr-me a caminho com o meu capacete amarelo! :DDDDDDDDDDD

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  2. Diz que o veneno mata, se calhar foi o caso. Que descansem em paz, finalmente.

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  3. Não será melhor um jardineiro armado com uma tesoura de poda?

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  4. É pena, mas é a verdade, sem tirar nem pôr.
    Eu tenho para mim que esse príncipe de que falas é o bloqueio generalizado e definitivo dos anónimos. Até os assuntos conseguem condicionar. E a falta de assunto singra, e depois sangra...
    :/

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    1. Já ninguém quer brincar! :(
      Uma pessoa anda pelo recreio a gritar "quem-quer-brin-car-aos-po-lí-cias-e-cow-boys" e, puf... está tudo muito ocupado a levar-se muito a sério...

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    2. Polícias e Cowboys?! É isso, o problema está aí. Ninguém brincava aos polícias e Cowboys, brincavam aos polícias e ladrões e índios e Cowboys. Quando se lhes pede uma coisa diferente são apanhados de surpresa e declinam.

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    3. Ahahhahahhahahhahahhahahahahahahahahahahahahahahhahahhahaahhahahahahhahahahahahahhaahahhahahahahhahahahahahahahahahahahahahahhahahhahahahahahahahahahhahahahhahahahahahahahhahahahahahhahahahahhahahahhahahahahahahahahahahahhahahahahahhahahahahahhahaahahahhahaha
      Fogo, Mi, afinal era tão simples! Tiraste-me um peso de cima! :DDDDDDDDDDDD

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  5. Vocês estão a falar exactamente do quê? Não é de cabeleireiros nem de bobs, nem nada disso, pois não? É que eu tenho aqui taaaaaanto bica para aviar, não me consigo pôr a par de tudo, apesar de querer bastante.

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    1. aahhahahahahahahahahhahahahahahhahahhahahahhahahhahahhahaha
      Apesar de querer bastante é muito bom, Oh pah... eu só quero brincar!

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  6. Isso iria sempre acontecer, Palmier. A partir do momento em que se crítica X por fazer Y, mas, quando H faz exactamente a mesma coisa e ou não é criticado ou é considerado muito bom, não só se perdeu uma certa idoneidade como tudo o resto parece apenas acertar de contas.

    Há certas pessoas cujo Blog, como afirma a Lady Kina, só destilam veneno, e só o fazem em relação a certos alvos. Há outras cujo Blog é claramente para os amigos.

    Não penso que haja trepadeiras, mas sim uma nuvem tóxica.

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    1. Pois eu cá acho que o mal é que a maior parte dos blogs andam a trabalhar para manter uma determinada aparência (seja ela qual for) e que isso os torna muito pouco naturais e espontâneos, e que esse é que é o verdadeiro problema...

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    2. Oh Palmier, um blog querer parecer o que não é, isso é um verdadeiro problema?? Mas, qual é o problema?? O "problema" está na cabeça de quem o lê. Ou tenta, vá! Ou lê enviusado, vá! Ou lê mal, ponto. Que grande problema, Palmier.

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    3. Realmente... não sei onde estava com a cabeça :DDDDDDDDDDDDD

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  7. Gosto imenso das tuas brincadeiras, e também gosto quando falas a sério.
    Mas andamos um pouco acabrunhados com tudo o que se passa à nossa volta, e deixamos de ser criativos, há um tempo para escrever e outro para ler - e só lemos disparates - e é o inicio das aulas, o inicio das dietas, o início do trabalhos, tudo se mistura com o leve amargo de boca que é o facto de termos rebentado com uma grande fatia do orçamento nas férias do quintal, enfim, um esmorecimento muito incapacitante, mas eu acho que vamos todos conseguir emergir e dar vida a estes blogs todos que estão murchos como nós, no fim de mais um verão.
    Tu não percas a esperança.

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    1. Vamos, irrrrrmãos, vamos dar as mãos e sair desta apatia! (até´parece slogan de campanha eleitoral :D)

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  8. (A Mirone quando leu "tanto bica para aviar" até se lhe tremeu o nasogeniano)

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  9. Eu cá não percebo muito disso, mas diria que se se sentem tão cansados que até parece que vão dormir cem anos, é melhor ir ao rastreio ver se não será anemia... Depois pode ser que ouçam a laracha engraçada acerca do criador ser homem, tomam umas pílderas, e là voilà, está a coisa reencaminhada. Não brinque com a saúde das pessoas, Palmier, anemia é coisa para se levar a sério!

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    1. Realmente! Oh pah... se eu estivesse bem informada tinha percebido as causas do problema muito mais cedo! :DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD

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    2. Nada que cinco colheres de becel de manhã e duas de planta com sabor a manteiga à noite não resolva...

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  10. Por mim, só voltarei a produzir um post decente quando me partirem o coração! Não tenho culpa de ter um blog de dor de corno.

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    1. Hum... será que me vou ver obrigada a proceder aqui no blog a um casting para encontrarmos um quebra-corações?!

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    2. A minha situação é desesperada! Está em causa um blogue com mais de cinco anos de dor de corno acumulada...

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    3. Raios... onde é que agora vou desencantar um quebra-corações assim à pressão?!

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